terça, 16 de janeiro de 2018

Institutos de Pesquisas e o IPAT

  "O que se busca hoje é um novo modelo de desenvolvimento econômico." Institutos de Pesquisas e o IPAT

O Prof.

Alcindo Gonçalves nasceu na cidade de Santos, tem 54 anos, é engenheiro civil, foi presidente da Prodesan e teve uma trajetória política como vereador em Santos.

Foram 10 anos de sua vida nessa carreira política, ao fim da qual parou e resolveu atuar na vida política pela via acadêmica universitária.

Foto: Equipe de fotografia Fez mestrado e doutorado em Ciência Política na USP, tornando-se a partir daí professor, exercendo essa função, hoje, como sua atividade principal.

É professor do programa de mestrado em Direito da Universidade Católica de Santos e coordenador do Instituto de Pesquisas “A Tribuna”.

Painel Entrevista - Qual é a importância de um instituto de pesquisas?

Qual é o papel do IPAT?

Prof.

Alcindo: Bom, eu sou um pouco suspeito para falar, mas, de qualquer maneira, é importante para a região dispor de um instituto de pesquisas capaz de realizar pesquisas e, antes de coordenar o IPAT, eu coordenei o NESE, Núcleo de Pesquisas e Estudos Socioeconômicos da Unisanta, que continua funcionando e possuía um perfil mais voltado à pesquisa universitária-acadêmica e, como tal, é importante que a região tenha esses institutos de pesquisas; a Unisantos tem o IPECI, Instituto de Pesquisas Científicas.

O IPAT é um instituto de pesquisas do Grupo “A Tribuna”, criado no começo de 2005, e que realiza pesquisas dos mais variados tipos para o Grupo “A Tribuna” e para o mercado em geral, a exemplo do que faz a nível nacional o Datafolha.

Então trabalhamos para o Grupo A Tribuna, e também para qualquer entidade pública ou privada que necessite de um trabalho profissional de pesquisas.

Não somos um instituto acadêmico, porém temos feito no jornal uma série de pesquisas do perfil da 3ª idade, do jovem, e procuramos disponibilizar no site do instituto que fica no domínio da Tribuna para quem quiser consultar.

O IPAT é uma iniciativa no campo privado que está aparelhado, 24h por dia, para realizar pesquisas de opinião e de mercado.

Não havia nada do tipo na região até surgir o IPAT, que está pronto para realizar todo tipo de pesquisa para a editoria do jornal e, além disso, para o setor público e privado.

Já fizemos pesquisas para as prefeituras de Cubatão, Santos, Guarujá, Praia Grande, que nos contrataram para fazer pesquisas em variados assuntos e que lhes interessavam; fizemos pesquisas para o Dersa, relativas à travessia das balsas no litoral.

Algumas pesquisas tiveram um caráter totalmente de mercado.

Uma empresária que queria lançar uma loja de roupas nos procurou para fazer uma pesquisa para saber se havia nicho de mercado e público.

Um instituto de pesquisas como o nosso tem papel importante a desempenhar na região tanto no setor público quanto no privado; não que a pesquisa resolva tudo, mas ela é uma ferramenta útil e importante para a tomada de decisões.

Painel Entrevista - Quais cidades ou regiões vocês abrangem?

Prof.

Alcindo: Atuamos basicamente na região Metropolitana da Baixada Santista, que compreende os 9 municípios (Bertioga, Cubatão, Guarujá, Mongaguá, Itanhaém, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente).

Não há nenhum impeditivo de que atuemos fora, apenas por uma questão técnica e financeira nos limita uma atuação fora, até porque o nosso principal cliente é o jornal A Tribuna, que atua na Baixada Santista.

Painel Entrevista - Qual é o perfil sócio-econômico de Santos e região?

Prof.

Alcindo: Santos é a cidade mais importante da região da Baixada Santista, é a cidade pólo da região, é a principal cidade empregadora, umas das mais antigas, que são: São Vicente, Santos e Itanhaém.

As outras vieram muito tempo depois etc.

Agora, economicamente falando, a cidade de Santos se desenvolveu a partir de três atividades importantes.

A primeira delas foi o Porto, que é a razão de ser da cidade do ponto de vista econômico, desde a fundação da Vila de Santos e, especialmente, a partir do final do séc XIX, com a criação do Porto moderno, passou a desempenhar um papel importantíssimo, tornando-se, ao longo do século XX, o maior porto da América Latina, e obviamente gerou empregos e renda.

A segunda foram os negócios do café, também no final do século XIX, aliás, foi o crescimento da exportação do café do Brasil, especialmente a produção do Estado de São Paulo, na época Província do Estado de São Paulo, que obrigou que se fizesse um Porto moderno para escoar a produção de café.

No final do século XIX até mais da metade do século XX, os negócios do café eram feitos em Santos, então, havia aqui exportadores, comissários e corretores de café, armazéns gerais, bancos, toda uma rede de negócios ligada ao comércio do café.

A Terceira foi a criação do parque industrial de Cubatão que, embora não seja em Santos, acabou influenciando a região com um todo.

Começou com a refinaria Presidente Bernardes na década de 50, seguiu-se a indústria petroquímica, a Cosipa e a indústria de fertilizantes.

Foi uma atividade muito importante e continua sendo até hoje e, em menor grau, mais oscilante, a atividade de turismo, que nunca foi muito organizada, na minha opinião amadora.

Em alguns momentos, na década de 50, houve um crescimento aqui em Santos, depois Guarujá, mais recentemente no Litoral Norte, em Bertioga.

Eu não diria que é uma atividade econômica muito estruturada.

Em linhas gerais, eu diria que essa é a formação econômica da região.

Santos, em particular, se caracteriza por ser uma cidade de comércio e serviços, pólo de uma região de 1,5 milhão de habitantes, que concentra a maior parte do comércio e serviços dessa região.

Painel Entrevista - Qual é o número de habitantes e qual é a renda per-capita da população santista e região?

Prof.

Alcindo: A população da Baixada Santista é 1.

476.

620, cerca de 1,5 milhão de habitantes, distribuídos entre as nove cidades (segundo o Censo de 2000).

Hoje deva ser um pouquinho maior, em torno de 1,6 a 1,7 milhão de habitantes.

A renda per capta da cidade de Santos é de cerca de 10 mil reais e da região é um pouco menor, cerca de 9,2 mil reais por habitante.

Cubatão tem a maior renda per capita porque concentra as indústrias e a população é pequena, os demais municípios são mais pobres.

Santos teve um empobrecimento, com a crise no Porto, os negócios com o café não são mais feitos em Santos, o parque industrial desempregou muito ao longo dos anos 90.

O século XXI começou com a região e Santos, em particular, buscando o seu destino e reorganização de sua economia.

O final dos anos 90 foi particularmente difícil para a região.

Painel Entrevista - Significativa parcela da população santista é formada por pessoas da “3ª idade”.

Qual é a sua influência nos setores econômicos da cidade?

Prof.

Alcindo: Uma boa pergunta.

De fato, as pessoas com mais de 60 anos, que constituem a chamada terceira idade, representam mais de 15 por cento, aproximadamente, da população de Santos.

É o dobro da média do estado de São Paulo e, conseqüentemente, isso gera um mercado específico para esse público: é um público aposentado que tem renda e que gera demandas específicas de saúde, medicamentos, farmácia, lazer e entretenimento.

É um filão que os setores do comércio e serviços não exploram como poderiam.

É uma massa de gente expressiva.

Painel Entrevista - O que representará para Santos e região a instalação da Unidade de Negócios da Bacia de Santos pela Petrobrás?

Prof.

Alcindo: Ao que tudo indica terá um impacto importante a partir do início do século XXI.

Passado o ano 2000, com a crise do modelo anterior, a cidade está em busca de novas alternativas de crescimento, desenvolvimento e geração de empregos, e uma delas surgiu com a descoberta de gás na bacia de Santos, que propiciou a instalação de uma unidade de negócios da Petrobrás aqui, concentrando escritórios, gerando empregos diretos e indiretos, e isso deve gerar royalties, ou seja, dinheiro que a Petrobrás paga aos municípios pela atividade econômica de exploração de gás e petróleo.

Isso trará renda aos municípios e, portanto, desenvolvimento.

Eu acho que essa unidade de negócio é algo promissor para o futuro, nos próximos dez, vinte anos.

Painel Entrevista - Como estão os níveis de emprego e desemprego na cidade?

Prof.

Alcindo: Quem mede, desde 1998, e de forma regular o índice de desemprego é o NESE – Núcleo de Pesquisas e Estudos Socioeconômicos da Unisanta, que coordenei até 2004, e que é feita semestralmente.

Na última medição, o nível de desemprego foi de 16,75 por cento da população, que é bastante alto, compatível com o nível de desemprego da grande São Paulo.

A maior parte dos desempregados é formada por jovens e representam 50%, ou seja, metade é formada por jovens na faixa etária de 16 a 24 anos.

São, portanto, os jovens que estão com extrema dificuldade de entrar no mercado de trabalho.

As primeiras medições (1998-1999) chegaram a 23%, caíram para 16%, depois 15%, embora tenha reduzido, ainda é alto e grave porque atinge os jovens.

Painel Entrevista - Quais são as perspectivas de empregabilidade em Santos e região para os jovens?

Prof.

Alcindo: Esse é um problema, e o que se busca hoje é um novo modelo de desenvolvimento econômico, que passa por um novo Porto, que está em processo de transformação, com a nova configuração de operações privadas, a unidade de negócios da Petrobrás, o desenvolvimento do turismo, tudo isso pode gradualmente gerar empregos, mas é claro que para que haja desenvolvimento em Santos e na Baixada, depende também do cenário nacional, pois, como o Brasil vem patinando em seu crescimento nos últimos 20 anos, o nível é muito baixo, o crescimento do PIB no Brasil – Produto Interno Bruto, tem sido de 2%, 3% e não passa disso, com uma média de 2,5% a 2,8%, nos últimos 20 anos, quase a taxa de crescimento da população, pouco acima, e para dar um exemplo, a China cresce a 10% ao ano, a Índia de 8% a 9%, a Argentina cresceu 8% a 9%, ano passado, mas a região acordou e está brigando para construir o seu destino.

Infelizmente, porém, o que acontece ainda com muitos jovens é pegar a Rodovia dos Imigrantes e ir para São Paulo.

Painel Entrevista - Santos é considerada uma cidade com boa qualidade de vida, mesmo assim, existem famílias morando em favelas.

Qual é o déficit habitacional da Baixada Santista?

Prof.

Alcindo: Fala-se de um déficit que compreende 90 mil famílias na região, claro que em Santos a situação é um pouco melhor, já que concentra uma população de classe média, e é uma cidade curiosa, é relativamente pequena, territorialmente falando, situa-se basicamente numa ilha.

Com o crescimento, as famílias de baixa ou baixíssima renda acabaram ficando fora da cidade, e assim as maiores áreas de pobreza estão em São Vicente, Praia Grande e principalmente em Cubatão, onde mais da metade vive em favelas, em Guarujá, um terço da população vive em favelas.

Em Santos há um pouco na Alemoa e na Vila Gilda; portanto, o déficit habitacional é maior nas cidades mais pobres da região.

Painel Entrevista - Quais ações seriam necessárias adotar para minimizar esta questão?

Prof.

Alcindo: A primeira delas é o crescimento econômico, mas é claro que ações assistenciais como o bolsa-família, programas das prefeituras e do governo do Estado ajudam a minorar os problemas, mas são um quebra-galho, porque a solução definitiva é a geração de emprego e renda, é crescimento e desenvolvimento.

Painel Entrevista - Há algum projeto para melhorar o sofrimento das famílias que moram no Dique e nos morros da cidade provocado pelas enchentes?

Prof.

Alcindo: Há muito tempo que existem programas nessa área.

Os morros de Santos não apresentam uma situação de favelização, muito pelo contrário, são assentamentos antigos, consolidados, algumas regiões dos morros têm uma qualidade de vida muito boa.

Houve nos quase últimos 20 anos um cuidado grande com as áreas de risco, não havendo ocorrência de morte ou acidente grave de deslizamento de encostas.

Em compensação, no Guarujá, já acontece, tem um perfil de invasão, de favelas.

Em Santos, talvez ainda na região da Vila Progresso.

A Vila Gilda, por exemplo, tem tido investimentos, há uns 15 anos, de melhoria daquela situação, construção de casas, relocamento das famílias e retirada das palafitas, que ainda existem, são projetos de fôlego, no caso do México 70, em São Vicente, o CDHU investiu bastante, transformando em uma região urbanizada, mas há ainda bastante coisa a fazer.

Painel Entrevista - Há algum projeto para o aproveitamento da malha ferroviária da região?

Prof.

Alcindo: Não sou especialista no assunto, mas existe uma discussão antiga que é o aproveitamento da antiga linha da Sorocabana, da FEPASA, que corta a cidade de Santos e São Vicente e que nos ligaria ao litoral sul, com a utilização de um trem de superfície, porém o projeto não tem ido adiante.

O que tem havido ultimamente são investimentos no Porto.

As ferrovias que acessavam o Porto, formadas pela Rede Ferroviária Federal e a FEPASA, foram privatizadas e hoje tem havido investimentos significativos de melhoria e cada vez mais cargas têm chegado, de qualquer maneira, elas têm um potencial para o transporte de passageiros.

EQUIPE DE REDAÇÃO, FOTOGRAFIA, PESQUISA E APOIO 8ª.

Rui Ribeiro Couto Damien Luigi Farini.

Eduardo Alberto Bimbachi Fonseca.

Felipe Desbanca Liutikus.

Gabriel Monteiro Paim.

Luiz Guilherme dos Santos Marques.

Marcos Valente Carvalho da Silva.

Matheus Saleme de Oliveira.

Nicolas Astolpho Maziero.

Pedro Henrique Incerpi Paiva Martins.

DATA DA REALIZAÇÃO 19/10/2006.

ORIENTAÇÃO Profª.

Angela Maria Nalim da Silva.

COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Prof.

Lenine Righetto.

SUPERVISÃO E REVISÃO Prof.

Alcides Duarte.

Congratulações “O Colégio Universitas agradece a todos os colaboradores desse projeto que com empenho e dedicação contribuíram para o enriquecimento do conteúdo do painel entrevista do Portal Universitas e de si próprios.

PRÓXIMO ENTREVISTADO Sr.

Salah Mohamad Ali - atual presidente da Sociedade Beneficente Islâmica do Litoral Paulista.

Tema a ser abordado: "Mesquita Islâmica".

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