terça, 16 de janeiro de 2018
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Pinacoteca Benedicto Calixto - Parte I - Reprise

  "Como residência, na orla da praia, ela é muito representativa da época áurea do café." Pinacoteca Benedicto Calixto - Parte I - Reprise

O Painel Entrevista conversou com a Srª.

Cristina Eizo, nascida em Itapeva, possui descendência japonesa, é artista plástica, funcionária cedida à Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto pela Prefeitura.

Participou também dessa entrevista a Srª.

Mari Carmen Novoa Duran, também funcionária cedida pela Prefeitura.

É guia de turismo internacional para o Mercosul, como também tradutora e intérprete, com complementação pedagógica pela Unisantos.

É assistente técnica da Pinacoteca, já tendo exercido a função de monitora pelo período de seis anos.

Painel Entrevista - Qual é a relação entre a Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto e a Prefeitura?

Cristina Eizo: A Prefeitura estabeleceu uma parceria com a Fundação mediante cessão de alguns de seus funcionários para que possam trabalhar pela cultura da cidade.

Ela nos ajuda a custear a eletricidade.

A maior parte dos funcionários é subsidiada pela Prefeitura.

É muito gostoso trabalhar pela Cultura e poder estar em contato com as pessoas.

Temos uma preocupação com a questão cultural e estamos trabalhando para viabilizar o acesso das pessoas a esse equipamento cultural.

Painel Entrevista - Relate um pouco a história do casarão que abriga a Pinacoteca Benedicto Calixto?

Cristina Eizo: A história deste casarão se divide em dois momentos.

Ela é muito bonita.

Essa casa é a última da orla da praia que ainda mantém as características de época.

Temos uma outra, lá perto do canal 3, no Gonzaga, que não funcionava como uma residência.

Era sede do Clube XV.

Então, como residência, na orla da praia, ela é muito representativa da época áurea do café.

Foi ocupada por um dos barões do café.

De quem a gente tem mais informação é da família Costa Pires, que era exportadora de café e que morou na década de 20 aqui.

Este casarão possui um estilo de decoração interna “Art Noveaux”, é provavelmente de 1900, porque não temos a escritura definitiva da época da construção dessa casa.

Temos uma escritura do século XIX e de quando ela foi vendida em 1907.

No século XIX, a casa era assim, composta de uma porta e quatro janelas.

Não como está hoje.

Esse casarão está com as características da época em que foi vendida em 1907.

Em cada cômodo deste andar inferior havia um tipo de ambiente.

A gente percebe isso pela decoração do teto que é diferenciada.

Cada ambiente possuía um uso específico: sala de visitas, salão nobre, sala de jantar, jardim de inverno, escritório, biblioteca e os quartos em cima.

Esse casarão sofreu bastante, chegou a ser um cortiço.

Aqui moraram quase trinta famílias ao mesmo tempo, entre as décadas 60 e 80.

Entre diversas idéias, foi escolhida aquela que propiciava o resgate desse patrimônio histórico.

Iniciou-se assim o processo de reforma.

A primeira idéia foi torná-la sede do museu Pelé, porém mostrou-se não muito interessante para a casa.

Uma outra idéia foi torná-la sede da Secretaria de Turismo, porém ficaria restrito a uns poucos funcionários e a alguma outra pessoa que viesse ao casarão.

Então surgiu a idéia de tornar o casarão um equipamento voltado à comunidade e, por conta disso, optaram pela Pinacoteca.

Painel Entrevista - Por que a Pinacoteca recebeu o nome “Benedicto Calixto”?

Cristina Eizo: Já existia a Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto que é formada por pessoas interessadas na manutenção e preservação da memória e das obras de Benedicto Calixto, porém não existia a sede.

Essa foi a idéia acolhida para o uso desse casarão.

Por que não fazer dele um complexo cultural?

Então, colocamos aqui o acervo de Benedito Calixto, que é permanente.

Aqui também funciona como uma casa de cultura.

Além do acervo permanente, temos exposições temporárias e eventos culturais.

Realizamos o lançamento de livros, CDs, eventos musicais, entre outros.

A obra de Benedicto Calixto é o acervo principal da Pinacoteca.

Um grupo de empresários, daqui da cidade, reuniram-se e formaram a Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto.

Há também uma Associação de Amigos da Pinacoteca.

São dois grupos que nos ajudam na administração.

Painel Entrevista - Como foi montado o acervo?

Cristina Eizo: Havia obras na Câmara Municipal que, ao longo do tempo, foram sendo adquiridas.

Outras foram obtidas mediante contratos de comodato.

Por exemplo, temos obras da Libra.

São obras que pertencem a um determinado proprietário o qual cede por um determinado tempo.

Isto está estipulado em contrato e pode ser de dez, vinte ou até cem anos.

A Pinacoteca se obriga a expor, cuidar e, se preciso for, restaurar.

É a responsável pela obra durante o período de vigência do contrato.

Uma das preocupações da diretoria é aumentar o nosso acervo.

Um dos últimos quadros adquiridos pela casa, foi através de leilão, porque são obras de colecionadores particulares.

Quando alguma obra está para entrar em leilão, eles nos comunicam antes.

Nós entramos em contato com eles para saber de quanto será o lance mínimo.

Essa informação é repassada para a diretoria que se reúne para definir o lance que será dado em cima do trabalho, fora os quadros que são oferecidos para a casa e sobre os quais estabelecemos negociação.

Temos uma sala só de nú.

Painel Entrevista - Por que a arte gráfica é o forte da Pinacoteca?

Cristina Eizo: Aqui nós temos um acervo de arte contemporânea, ou seja, é aquilo que está acontecendo no momento.

Nós disponibilizamos a parte superior do casarão para a exposição dos trabalhos dos artistas.

Existe uma grande procura e, assim sendo, procuramos selecionar os melhores trabalhos e dentro daquilo que podemos oferecer-lhes.

Para expor trabalhos de estrangeiros ou de São Paulo, é necessário climatizar o casarão, dispor de um sistema de segurança melhor e de uma série de outras coisas.

Também teríamos que contratar um seguro, o que exigiria um montante significativo de recursos.

Estamos em frente à praia, tem muita maresia, o calor é grande e, tudo isso, são fatores que deterioram a obra.

Não é toda exposição grande que temos condições de trazer, além do que, aqui é uma galeria adaptada.

Em uma galeria, logo que você entra, há uma visibilidade, uma perspectiva de toda a parede.

Isso sim é uma galeria.

Aqui não é isso.

Então, procuramos realizar exposições que estejam de acordo com a nossa característica.

Nós discutimos essa questão com os artistas até entrarmos em acordo.

Uma das coisas que analisamos é o seu currículo profissional.

Os artistas de renome realizam contato conosco através de seus curadores, ou seja, há uma equipe que nos apresenta as condições nas quais pretende expor a obra e se será possível encaixá-la.

Portanto, trabalhamos com artistas contemporâneos, com aquilo que está acontecendo no momento.

Mari Carmen: Nós tivemos aqui a coleção do Metrópolis, da TV Cultura, que teve uma grande repercussão.

Ela ocupou a parte interna e externa da casa.

Houve uma obra muito interessante que pegava toda a fachada da casa, com milhares de sandalhas que formavam a bandeira do Brasil.

São obras conceituais.

A obra gráfica tem uma outra conotação.

Tivemos obras em que o visitante era convidado a interagir com a obra.

Painel Entrevista - Por que alguns quadros ficam expostos aqui temporariamente?

Qual é a regularidade de tempo dessas obras?

Cristina Eizo: Como foi dito, temos o acervo permanente de Benedicto Calixto, porém há exposições temporárias em que damos um prazo médio de um mês, inclusive, um dos últimos foi de um artista italiano, que trouxe obras da Itália que foi muito dispendiosa.

O custo é elevado, pois fizemos coquetel e uma divulgação grande.

Existem gastos em cima disso tudo.

Por esse motivo, procuramos deixar um tempo grande a fim de que possamos aproveitar ao máximo a sua presença.

Isso nos permite fazer uma melhor divulgação nas escolas.

Atendemos muitas escolas.

Portanto, elas permanecem por um longo tempo.

São realizadas, no máximo, de 6 a 7 exposições ao ano.

Para cada uma, temos que dedicar um tempo para a manutenção do casarão, preparação e realização do evento, já pensando no próximo evento.

Alguns assuntos que serão abordados na segunda parte da entrevista - Saiba como as obras são captadas pela Pinacoteca.

- Para quem o espaço é disponibilizado?

- Saiba como a Pinacoteca faz para manter-se.

- Por que freqüentar uma casa de cultura?

- A participação do público jovem.

Congratulações “O Colégio Universitas agradece a todos os colaboradores desse projeto que com empenho e dedicação contribuíram para o enriquecimento do conteúdo do painel entrevista do Portal Universitas e de si próprios.

Envie comentários para: opiniao@colegiouniversitas.com.br EQUIPE DE REDAÇÃO, FOTOGRAFIA, PESQUISA E APOIO 8ª.

Patrícia Galvão Ingrid Barbosa Oliveira.

Pamela Camara Maciel.

Bruna Alegria Rollo Dias.

Marcella Pellicciotti Sousa.

Thais de Azevedo Castilho.

Paula Letícia de Queiroz e Barbosa.

Daniele Orefice Kolhy.

Carolina Matte Vayego.

DATA DA REALIZAÇÃO 18/10/2006.

ORIENTAÇÃO Profª.

Sandra Regina.

COORDENAÇÃO Prof.

Lenine Righetto.

SUPERVISÃO E REVISÃO Prof.

Alcides Duarte.

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