terça, 16 de janeiro de 2018

Mesquita Islâmica - PARTE II

  "A igualdade dos direitos entre homens e mulheres é da essência da Religião Islâmica." Mesquita Islâmica - PARTE II

Painel Entrevista: As mulheres têm os mesmos direitos que os homens?

Por que elas rezam em separado?

Sr.

Salah: A mulher ganhou seu lugar, seu respeito, enfim o reconhecimento de sua existência, nos primeiros momentos do Islam.

Foi Dona Khadija a esposa do profeta que acreditou na veracidade dele como mensageiro de Deus.

Foto: Sr.

Salah Mohamad Ali No livro Sagrado Alcorão, tem um capítulo inteiro que fala sobre a Virgem Maria, a mãe de Jesus, o Alcorão fala de “Ásia”, a esposa do “Faraó, do Egito” e de outra mulher devota da rainha de Sabá na época do profeta Salomão e outras histórias para indicar a importância da mulher no Islam como peça principal na construção da família e da sociedade.

A igualdade dos direitos entre homens e mulheres é da essência da Religião Islâmica, foi o Islam que libertou a mulher de todas as formas de escravidão, ignorância e o mau tratamento, ela deixou de ser um objeto sexual e conseguiu o direito de voto, e de escolher o futuro governante, ela adquiriu o direito de escolher seu parceiro, da herança, da educação e de ocupar o seu lugar ao lado do esposo.

No Alcorão Sagrado, na surata “Ar Roum” vers.

21, Deus disse: “-Entre os sinais, está o de haver-vos criado companheiras da mesma espécie, para encontrardes repouso nelas, colocou amor e piedade entre vós por certo que nisto há sinais para os sensatos.

”.

Mas vale lembrar que a igualdade não pode ser absoluta e sem regras pela diferença fisiológica entre o homem e a mulher.

O Islam aprecia a mulher pelo o que ela pensa, pela sua cultura, conhecimento e pelo seu trabalho produtivo e honesto.

O capitalismo expõe o corpo da mulher para obter somente lucro, e para preservar as mulheres, é determinação do Islam que elas orem atrás dos homens ou em área separada, porque a casa de Deus é um lugar de meditação, oração e respeito.

Painel Entrevista: O islamismo foi dividido em dois grupos: Sunitas e Xiitas.

Qual é a diferença entre eles?

Como foram formados?

Sr.

Salah: Até o 4º Califado, os mulçumanos não eram divididos.

O profeta Mohammad foi e é um exemplo a ser seguido pelos mulçumanos, a sua vida, a maneira como tratou a sua esposa, como tratava o povo, de como rezava, e sua luta e seu sacrifício para divulgar a Religião verdadeira de Deus Único e Soberano.

Depois da morte do profeta Mohamad, e a escolha de Abou Bakr, o primeiro califa, veio Omar, Otman e o quarto Ali, na época do Ali, primo de Mohamad, houve uma disputa política entre os seguidores de Muhawia e os seguidores do Iman.

Ali, terminou com o uso das espadas e a divisão dos muçulmanos entre apoiadores de Muhawia e outros a favor de Ali.

Os que ficaram a favor de Ali foram chamados de Xiitas, pois acreditavam em Ali como figura principal.

Eles representam 12% dos adeptos do islamismo.

Os que ficaram do lado do Muhawia foram chamados de sunitas, que significa: os seguidores do profeta Mohamad e são a maioria com 88% do total dos muçulmanos.

Painel Entrevista: Os homens-bombas são Xiitas?

Uma vez li que eles são grupos terroristas?

É isso mesmo?

Sr.

Salah: O Oriente Médio e o Extremo Oriente estão sofrendo uma política intervencionalista e colonialista presidida pela coalizão anglo-americana-israelense com o objetivo claro de impor sua política e dominar as riquezas do terceiro mundo, especialmente o petróleo.

Por isso, tanto o povo palestino como o povo libanês, os iraquianos e os afegãos estão lutando contra a ocupação e a agressão, usando métodos e formas diferentes.

Esses homens-bomba não são só xiitas, têm entre eles sunitas (palestinos, iraquianos e afegãos).

A Religião Islâmica apóia os direitos de todos os povos de livrarem-se da ocupação e da agressão, mas não aceita, nem aprova o uso do próprio corpo para afetar o inimigo, nem afetar a vida de inocentes e civis em qualquer guerra.

A Religião Islâmica é uma religião de paz e só aceita a guerra para defesa e como último recurso.

Vamos falar de terrorismo.

Vale lembrar que o primeiro congresso Sionista da Basiléia, em 1897, teve como objetivo principal colonizar a Palestina e transformar esse país em lar permanente para os judeus do mundo todo, usando a tática de terror e matança para expulsar os palestinos de sua terra natal.

Participou desse massacre o grupo “hagana” sob os olhares do mandatário britânico e o vergonhoso reconhecimento das nações unidas, que reconheceu a divisão da Palestina e o que se seguiu após este fato.

Foram guerras em virtude de várias ocupações de países árabes, isso sem falar do terrorismo de Estado, praticado pelos Estados Unidos da América, começando pelas bombas de Hiroshima e Nagasaki, o apoio da França e Grã-Bretanha dado a Israel e o apoio, desde os anos setenta, que se mantém até hoje, e que é dado pelos Estados Unidos a Israel.

Agora a nossa pergunta: quem são realmente os terroristas?

Quem defende a sua terra e a sua família?

Será que são os muçulmanos ou será essa política praticada pela coalizão de norte-americanos, ingleses e israelenses, tramando contra a independência dos países do terceiro mundo, na Ásia, África e na América Latina, apoiando as ditaduras nos anos sessenta e setenta?

Tramam, até hoje, contra Cuba e Venezuela.

O “Hezbollah” é um grupo militar e político que participa na vida política do Líbano, ajudou o sul do Líbano na ocupação israelense, ele ajudou a construir creches, escolas, hospitais e ajuda uma boa parte da população carente do Líbano.

É um grupo reconhecido pelo governo, mas politicamente não tem a mesma opinião do atual governo e discorda da atual política pró-ocidente.

Painel Entrevista: Como conviviam os judeus nessa região na época do surgimento do Islamismo?

Sr.

Salah: Havia três tribos principais que viviam na península árabe antes do surgimento do Islam.

Os judeus vieram do Iêmen porque sabiam que o próximo profeta seria daquela região.

Eles incentivavam as lutas entre as tribos árabes na era pré-islâmica especialmente entre as tribos “Aus” e “Rasraj”.

Depois que o Islam teve início, um número pequeno delas aderiu à religião do Islam.

Os judeus não aceitaram a idéia que entre os árabes, descendentes de Ismael, o irmão mais velho de Isaac, iria nascer um profeta, por isso eles se aliaram às tribos árabes pagãs e idólatras em acordos para acabarem com o profeta Mohamad e seus seguidores.

Todas as guerras travadas contra o Islam foram ineficazes.

Apesar das tentativas do profeta de obter sua imparcialidade na luta contra os infiéis e apesar do exemplo que deu o profeta ao tratar seu vizinho judeu com amizade, carinho e afeto.

Para falarmos da convivência existente naquela época, o profeta Mohamad deixou seu escudo como garantia para o seu vizinho judeu antes de morrer.

Devemos lembrar que os árabes da Palestina viviam em paz com os judeus que eram seis mil, e chegaram em 1932 a um total de cinqüenta e cinco mil habitantes, o que correspondia a 8% da população da Palestina.

Na copa de 1930 formou-se até uma seleção, era uma convivência pacífica.

Após isso, os judeus passaram a mudar os nomes das ruas e proibir o estudo da história árabe na Palestina, e com isso a harmonia da convivência deixou de existir.

Os países árabes viveram em paz por muitos anos, até que teve início a idéia de colonizar e ocupar a Palestina, e houve a expulsão dos habitantes legítimos com o uso da violência, matança e destruição sem justificativa.

Painel Entrevista: O Senhor é a favor da Guerra Santa?

Sr.

Salah: O conceito da “Guerra Santa” é uma visão errada que o mundo possui.

No nosso livro sagrado, Deus fala que a maior guerra Santa é aquela da pessoa contra ela mesma, para livrar-se da ganância, do egoísmo e da mentira.

Deus fala que existem duas guerras, uma Grande e a outra pequena.

Na guerra Grande a pessoa luta contra o egoísmo, os prazeres da vida mundana, o ciúme e a inveja, para chegar a um estado de paz e conforto pessoal.

Na guerra pequena, é permitido lutar em último recurso para defender-se e garantir a dignidade e a sobrevivência.

Os muçulmanos sofreram humilhação e tratamento desumano dos coraixitas, e muitos muçulmanos morreram porque não abandonaram sua religião.

Na conquista de Makka, o profeta Mohamad, à frente de um exército de dez mil combatentes, perdoou os habitantes e seus inimigos de ontem e conquistou a cidade sem derramamento de sangue, salvo um pequeno acidente que não foi intencional.

Surgem, de uma hora para a outra, grupos pequenos que usam a idéia de guerra santa para se promover, e ganhar apoio entre as camadas menos instruídas e mais pobres.

Na maioria dos casos esses grupos foram criados e financiados durante muito tempo pelos Estados Unidos, não esquecendo dos contras de Nicarágua e grupos extremos de direita de Honduras, Colômbia, os exilados de Cuba e os golpistas da Venezuela.

Painel Entrevista: Qual é a sua posição na participação do grupo Hezbollah na guerra do Líbano?

Sr.

Salah: É um partido político reconhecido pelo governo libanês que tem sua ala militar e teve sua participação na libertação do sul do Líbano juntamente com a resistência popular libanesa.

Criado em 1982, por causa da ocupação de Israel no Líbano, ele possui uma ação social que ajuda as camadas mais pobres da população do sul e da capital, cuja maioria são xiitas, é um partido que tem como integrantes cristãos e sunitas.

O partido teve sua representação no governo com quatorze deputados de dois ministros.

Ultimamente entrou em rota de colisão com o governo central, por influência da Síria e do Irã.

Nas suas decisões, ele acusa o governo de ter uma política alinhada com o ocidente, especialmente com os Estado Unidos e a França.

Por isso o partido trava uma guerra política e de pressão contra o governo central e pede maior participação do governo atual.

Nós achamos que, para acabar com os problemas internos no Líbano, é necessário haver o diálogo e aceitação do jogo democrático, a legitimidade do governo atual e do parlamento eleito pelo povo, a revelação do inimigo da nação e a construção de um país longe do fanatismo e do extremismo, livre da influência da política que não serve à unidade e à independência, juntamente com uma convivência harmônica entre todos os setores que formam a sociedade libanesa.

É preciso que haja a união entre o governo e a resistência, para haver libertação e independência.

Painel Entrevista: Qual é a mensagem que o Senhor gostaria de deixar aos povos e aqueles que professam outras crenças?

Sr.

Salah: Pedimos aos nossos irmãos das outras religiões que respeitem a religião Islâmica, como uma religião monoteísta, verdadeira e pacífica.

E pedimos também que seja aberto um caminho, para um diálogo verdadeiro, que se leve em conta que somos todos e irmãos e fomos criados pelo mesmo Criador Deus, Único, Absoluto e justo.

Vamos abrir um diálogo inter-religioso, para que possamos ter uma convivência pacífica entre as religiões, em favor da paz mundial.

Precisamos combater juntos todas as formas de violência, ódio, egoísmo, mentiras e a ocupação.

Vamos defender a vida e plantar palavras de amor, carinho, afeto e fé.

Vamos orar sempre e lembrar que nosso retorno é para Ele porque quem tiver feito o bem será recompensado, e quem tiver feito o mal será castigado.

Congratulações “O Colégio Universitas agradece a todos os colaboradores desse projeto que com empenho e dedicação contribuíram para o enriquecimento do conteúdo do painel entrevista do Portal Universitas e de si próprios.

Envie comentários para: opiniao@colegiouniversitas.com.br EQUIPE DE REDAÇÃO, FOTOGRAFIA, PESQUISA E APOIO Marina Vieira Marques.

Verônica Ponce Alonso Pedroso.

Marcela Antunes Tucci.

Mariana Nadais Aidar.

Matheus Rodrigues Ruas.

Marina Aidar Monteiro da Costa.

Thaís Prieto Rodrigues.

Desyreé Reno Torres.

Olivia Peralta Miranda de Carvalho.

DATA DA REALIZAÇÃO 10/10/2006.

ORIENTAÇÃO Profª Elsie Briggs Padron.

COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Prof.

Lenine Righetto.

SUPERVISÃO E REVISÃO Prof.

Alcides Duarte.

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