terça, 16 de janeiro de 2018

Pinacoteca Benedicto Calixto - Parte II

  "A arte é isso, é a nossa espontaneidade." Pinacoteca Benedicto Calixto - Parte II

Painel Entrevista - Como a Pinacoteca consegue captar obras diversas para exposições e mostras?

Cristina Eizo: Alguns são convidados.

Na maioria das vezes é o artista que manifesta interesse.

Isso ocorre porque a Pinacoteca é um lugar privilegiado da cidade.

Realizamos uma grande divulgação.

Tela: Cais de Santos Como a maior parte dos associados é de televisão, isso nos ajuda muito na hora da divulgação.

Assim sendo, conseguimos fazer uma grande divulgação para o artista.

Normalmente, é o artista que entra em contato conosco e, após análise e negociação, fechamos contrato de exclusividade.

Painel Entrevista - A Pinacoteca é um espaço aberto a artista de qualquer estilo ou dá ênfase a um estilo ou período artístico específico?

Cristina Eizo: Depende muito do trabalho do artista, do seu currículo, pois como recebemos muitas solicitações para expor aqui dentro, nós analisamos em conjunto com a diretoria.

Após análise, fechamos consenso sobre quem virá.

Independentemente do estilo ou da técnica, um fator que tem um peso significativo é o currículo, ou seja, o trabalho e a carreira profissional do artista.

O que desejamos é trazer uma arte maior, porque artistas todos nós somos, todos nós temos um espírito artístico, porém, por atrás de tudo isso, tem que haver um currículo, um histórico de trabalho.

O que nós queremos ver é como está o currículo dele, por onde expôs, o trabalho em si, porque nossa principal preocupação e objetivo é agregar outros aspectos culturais aos turistas e alunos.

Então, buscamos elementos que nos permita trabalhar com eles e isso nos preocupa.

Fazemos diversos tipos de eventos culturais, desde pequenos concertos de flautas e arpas, porque hoje em dia quase não tem.

Eles são muito bonitos.

Nosso espaço é aberto ao público e procuramos diversificar os instrumentos, propiciando um clima sereno, compatível com a nossa proposta, conciliando o clássico da casa e com o trabalho que será realizado.

Mari Carmen: Tivemos uma variedade grande de exposições.

Por exemplo, tivemos uma exposição da China, com objetos de diversas épocas, de santos e de vasos.

Nós não trabalhamos tão-somente com a obra pictórica, ou seja, com a pintura.

Temos como exemplo a dar a obra de Juliano.

Trabalhamos também com a escultura.

Então, não é só contemporânea, há obras do passado.

Não só com trabalhos individuais, os coletivos também.

Tivemos gravuras da França do século XVIII.

Então, de vez em quando, existe essa oportunidade variada.

Depende da disponibilidade de projetos e da direção.

Cristina Eizo: Existe também um elo de comunicação com a fundação anterior.

Nós procuramos levá-los para conhecer outros lugares.

Por exemplo, nós fomos conhecer a Fundação Pinacoteca de São Paulo e a Tomie Otake.

Nós conversamos, trocamos “figurinhas”, enfim, existe uma troca de informações e de interesses entre as instituições.

É algo interessante.

Quando começa o ano, a gente estabelece a agenda para o ano inteiro.

É também do interesse deles indicar-nos artistas, até porque, eles têm um contato maior.

São Paulo é São Paulo.

Portanto, diversos aspectos são interpostos e tudo isso é estudado.

Por isso, a agenda é bem cheia.

Normalmente é preenchida com antecedência.

A Secretaria de Estado, por exemplo, entrou em contato conosco e comentou sobre o acervo que possuem e que gostariam que fosse exposto.

Eles sabem que, aqui em Santos, vai haver um turismo intenso, por causa do Porto e tudo mais.

Painel Entrevista - Então existe o interesse de outras instituições de expor na Pinacoteca?

Cristina Eizo: Sim, há um interesse do pessoal de lá em encaminhar-nos alguma coisa.

Como eles sabem que aqui é uma cidade turística, há o interesse em realizar montagens ou coisa assemelhada.

Só que a nossa agenda está lotada.

Não tem como.

No final do ano há concertos de Natal.

Isso faz com que a casa fique movimentada.

Fechamos a rua.

Somos em pouquíssimos funcionários e o mês de dezembro é o auge.

Isso aqui fica lotado.

Enfim, existem diversos aspectos que são considerados para que seja definida a tarja cultural.

Vocês sabem o que compreende uma tarja cultural?

Ela abrange o acervo, a história do casarão, especialmente, a galeria que é um espaço onde ficam as pinturas.

Tem a música, a dança.

Tem isso tudo.

Temos que saber administrar os dias, os horários a fim de que possamos conciliar tudo isso, porque tudo isso é cultura.

Se eu der atenção somente para a galeria como ficam as outras partes?

E a música?

E a dança?

Então, tudo tem que ser analisado.

Painel Entrevista - O que a Pinacoteca faz para manter-se?

Cristina Eizo: A Pinacoteca Benedicto Calixto é uma fundação sem fins lucrativos.

Ela vive de doações e do incentivo à cultura.

Temos um grande incentivador que é a Libra Terminais e que ajuda-nos a manter a casa.

Além disso, eu comentei que temos a Associação dos Amigos da Pinacoteca.

Esses amigos, em torno de 120 associados, colaboram com 50 reais mensais.

São pessoas que gostam e acreditam na cultura.

Porque não temos mais nada a oferecer, a não ser Cultura.

O que eles recebem em troca?

São comunicados sobre a ocorrência de eventos e vernissages.

Eles sabem que estão ajudando a manter a casa.

Por isso são amigos da Pinacoteca.

De fato, temos muitos gastos.

Quando há um evento, não dá para o pessoal vir voluntariamente toda vez.

Portanto, necessitamos de funcionários e estes são à parte.

Há o pessoal da limpeza e manutenção.

Enfim, há tudo isso.

São esses amigos que ajudam a custear determinadas despesas.

Muitas pessoas auxiliam na administração.

Não é só o presidente.

Há uma vigilância por parte do Ministério Público e do Tribunal de Contas.

Portanto, é dessa forma que mantemos a casa.

Como digo, estou na condição de pedinte.

Sou a maior pedinte.

Se for necessário fazer alguma coisa grande, será para esses amigos, em comum, que recorreremos e eles têm colaborado conosco.

Painel Entrevista - Quem auxilia na divulgação?

Cristina Eizo: Contamos com amigos que estão presentes nos vários órgãos de comunicação, como por exemplo, na Tribuna, na TV Santa Cecília, portanto, em diversos órgãos.

A casa está aberta a todos e o casarão tem estado bem cheio.

Por exemplo, um dos eventos que fizemos foi uma exposição de orquídeas.

Fizemos o evento em julho, nas férias, com orquídeas.

Foi realizado durante três dias: sexta, sábado e domingo.

Serviu para atrair as pessoas e para divulgar a casa.

Só no domingo das 2h as 7h vieram 1200 pessoas.

Normalmente, o movimento daqui da casa é calmo, até porque, o ambiente tem que estar assim, gostoso.

O período da tarde é exclusivamente para eventos culturais.

Painel Entrevista - Quais tipos de obras literárias são disponibilizados pela biblioteca da Pinacoteca?

Cristina Eizo: A nossa biblioteca é mais voltada para a arte.

A gente não tem obras literárias de romance ou afins.

Na verdade, nós recebíamos qualquer tipo de doação.

Então, aqueles que não eram correlatos foram repassados, pois eram obras que não tinham a ver com a arte.

Mantemos alguma coisa relacionada à história de Santos.

Então, além de títulos nas artes plásticas, a gente tem livros sobre fotografia, arquitetura, tapeçaria, orivesaria, paisagismo e muitos livros sobre museus.

Possuímos bibliografias em português, espanhol, inglês, italiano, francês e alemão, expressas em obras distintas.

A pesquisa tem que ser feita aqui na casa, em seu horário de funcionamento.

Temos alguns livros sobre Benedicto Calixto que falam sobre a sua história, vida e obra.

Há um centro de documentação, numa sala separada da biblioteca, que possui um totem que possibilita a pesquisa sobre a obra de Benedicto Calixto por nome, roteiro e gênero.

Esse centro de documentação só foi feito graças à lei Rouanet, onde o Governo concede recursos de incentivo à cultura.

Nós ingressamos com uma série de documentos que propiciaram a obtenção do dinheiro.

Foi feito um CD que aborda a obra e vida de Benedicto Calixto.

A Mari Carmen é a responsável por todo esse trabalho.

Painel Entrevista - Quantas exposições e mostras são realizadas por ano?

Qual é a faixa etária dos freqüentadores da Pinacoteca?

Cristina Eizo: Como já foi dito, realizamos, no máximo, de 6 a 7 exposições ao ano.

Então, mais ou menos, durante 1 mês.

No intervalo entre uma exposição e outra, colocamos o acervo de Benedicto Calixto no piso superior, por causa também das escolas que vêm fazer pesquisa.

Muitas escolas realizam suas feiras e exposições internas em função das informações que colheram aqui.

Nosso objetivo é divulgar mais o trabalho que temos aqui relativo ao nosso acervo.

Foram mais ou menos umas seis exposições neste ano, levando em conta que não são somente as exposições.

Temos concertos.

Trouxemos um grande pianista do Coliseu.

A nossa preocupação não é só com as artes plásticas, é com a arte nas suas diversas formas de expressão.

Aqui vem desde estudantes como vocês, de uma camada privilegiada da população, mas também, gente de regiões mais carentes, como a do Caroara.

São jovens de um projeto de ação anti-risco e que vêm com um histórico de violência.

A visita monitorada tem uma linguagem ajustada ao público que receberemos.

Portanto, tanto no aspecto da faixa etária quanto social, são grupos que possuem uma bagagem cultural bastante distinta.

Para tanto, possuímos profissionais capacitados o que nos permite atender a todos.

É uma preocupação da diretoria propiciar ao nosso pessoal uma qualificação adequada.

Não adianta pintarmos e iluminarmos a casa se não houver uma preparação do nosso pessoal, até para que possa dar a orientação adequada.

Isso é algo importante não só aqui, mas em todo lugar.

Há também aqueles que vem para cá, a fim de realizar trabalho de TCC – Trabalho de Conclusão de Curso.

Recebemos muitos alunos de arquitetura e jornalismo.

Eles nos ajudam na divulgação.

Hoje mesmo tivemos uma filmagem pela manhã referente a um TCC de faculdade.

Eles desejavam saber como é o comportamento das pessoas que freqüentam um museu.

Há também o turista nacional e o estrangeiro.

Enfim, temos um público bem diversificado.

Painel Entrevista - Por que freqüentar uma casa de cultura?

Cristina Eizo: Não adianta ser um grande profissional, ter um diploma e não ter cultura.

A cultura é aquilo que se vai adquirindo com o tempo.

Então, falar sobre arte e música é importante.

Se não gosta de Mozart, porque ele é chato ou por que você não gosta desse tipo de música, porém você tem que ter o conhecimento sobre ele.

Em alguma passagem da sua vida você irá usá-lo.

Se você for um publicitário você necessitará ter uma visão a esse respeito.

Se você for um arquiteto terá que ter uma noção de perspectiva.

A cultura caminha junto com tudo isso.

Quando algum Diretor de escola nos liga pedindo informações, nós incentivamos para que venham, participem, estimulem o hábito de vir a uma Pinacoteca.

É dessa forma que se forma o gosto pela cultura na criança.

Se não trouxerem as crianças elas nunca virão a uma casa como esta.

Eu estou cansada de escutar, nasci aqui e nunca entrei, não entrou porque não quis, porque a porta está aberta.

É de graça.

Os monitores têm a maior paciência de conversar com as crianças.

Existe um projeto que está em estudo na diretoria para modificar um pouco o aspecto da monitoria.

Apesar do nosso quadro de funcionários é pequeno, temos procurado receber bem a todos.

Painel Entrevista - Como vocês vêem a participação do público jovem?

Mari Carmen: Temos visitas que são agendadas e as espontâneas.

Os jovens vêm, principalmente, através das agendadas.

É difícil virem jovens espontaneamente.

Alguns casais já perceberam que aqui é um lugar legal e aproveitam para namorar.

Muita gente até comenta.

A participação dentro da casa, quer na postura, quer na apreciação, que nos comentários sobre as obras, também, vai depender muito da estimulação que tiveram previamente.

Por exemplo, existe uma escola em São Paulo que faz uma visita anualmente.

Ela é do Ensino Fundamental.

Possui uma equipe de eventos culturais que montou uma rotina a partir da nossa monitoria.

Então é trabalhado previamente e quando eles vêm aqui, já apresentam uma visão crítica.

Eles se sentem muito mais à vontade, porque tiveram uma informação prévia.

Portanto, o preparo anterior serve para potencializar a participação deles.

Cristina Eizo: Mas independentemente disso, os monitores e os estagiários provocam as pessoas e elas respondem a essa provocação.

Nós temos curiosidades, brincadeiras, uma parte lúdica e, em virtude disso, é comum que os jovens tragam outras pessoas, principalmente, seus pais.

As crianças pequenas ficam deslumbradas com o espaço e com as histórias que eles contam.

Cada um tem uma linguagem.

Os monitores têm uma neurolingüística muito boa.

Eu sempre comento a esse respeito com eles.

Eu os parabenizo pelo trabalho que desenvolvem com as pessoas, porque as idades são bem diversificadas.

Agora, não adianta dar uma aula sobre Benedito Calixto a um grupo que está desinteressado.

Eles acabam se dispersando e dando trabalho.

Sabe por quê?

Por falta de uma orientação.

A casa está aberta para todos.

Será estimulando o hábito de vir a uma casa de cultura, desde pequeno, que se propiciará a formação de uma postura adequada no local.

Enfim, o jovem quando visita este casarão acaba percebendo que ela tem outras utilidades.

Vários jovens vêm fazer trabalhos na parte do jardim, fazem filmagens.

Não tem nada a ver com a Pinacoteca em si, mas vêm fazer seus trabalhos aqui no jardim.

Ficam namorando.

Daí a gente brinca: olha vocês estão num castelo!

É uma viagem, porque aqui é uma viagem.

O nosso intuito é mostrar aquilo que já foi e aquilo que será um dia.

Hoje nós não temos mais isso.

Onde você pode brincar de castelo?

Todo mundo já ouviu falar em castelo.

Aqui você olha e se imagina príncipe ou princesa.

Então, realizamos umas brincadeiras com os casais de namorados.

Nós falamos: “Olha, neste jardim tem um sapo!

Cuidado que podem surgir girinos!

”.

Enfim, por razões da vida, acabamos ficando travados.

A arte é isso, é a nossa espontaneidade.

Ninguém aqui está cobrando nada, porém este lugar pode fazer parte de um sonho.

Ao mesmo tempo em que é um sonho, é realidade e ao mesmo tempo em que é realidade, é história.

Se não preservarmos isso aqui, que história iremos contar amanhã?

Diremos somente que nascemos em Santos e que crescemos aqui.

A cidade é histórica e esse casarão está falando sobre um barão do café.

De alguém que existiu!

Todos nós somos imigrantes.

Além de ser um país jovem, somos um povo jovem.

Se não preservarmos a nossa história, o que nós passaremos para os nossos filhos?

Vamos viver só do dia-a-dia.

Viver para comer, não!

Sonhar também faz parte, por isso temos que mantê-lo e, dessa forma, resgatar a história.

É uma forma de mexer com o nosso ego ao brincarmos de príncipe ou de princesa.

Atualmente a maior parte das crianças mora em prédios.

Elas não sabem mais o que é correr num jardim, tampouco que tudo isso existiu.

Aqui residiu uma senhora.

Ela morou nesse casarão.

Aqui neste salão eram realizados saraus.

Sarau?

O que é isso?

Hoje em dia ninguém mais fala sobre isso.

Era uma coisa gostosa, de família e tudo isso, está se perdendo.

Estamos perdendo os nossos sonhos.

Portanto, manter essa casa é uma coisa maravilhosa, é resgatar tudo isso.

Os jovens podem vir aqui para passear.

Embora nós moremos numa cidade como Santos, ela não passa de uma cidade provinciana.

Nós somos provincianos, apesar de ser pertinho de São Paulo.

Não dá para comparar com São Paulo.

Vocês são estudantes e estudam numa boa escola.

Hoje, com a Internet, nós temos muitas informações, porém é preciso organizá-las.

Todos nós temos asas imaginárias que, no momento certo, irão decolar, bater rumo a novos lugares.

E aí, é importante ter uma bagagem cultural.

Congratulações “O Colégio Universitas agradece a todos os colaboradores desse projeto que com empenho e dedicação contribuíram para o enriquecimento do conteúdo do painel entrevista do Portal Universitas e de si próprios.

Envie comentários para: opiniao@colegiouniversitas.com.br EQUIPE DE REDAÇÃO, FOTOGRAFIA, PESQUISA E APOIO 8ª.

Patrícia Galvão Ingrid Barbosa Oliveira.

Pamela Camara Maciel.

Bruna Alegria Rollo Dias.

Marcella Pellicciotti Sousa.

Thais de Azevedo Castilho.

Paula Letícia de Queiroz e Barbosa.

Daniele Orefice Kolhy.

Carolina Matte Vayego.

DATA DA REALIZAÇÃO 18/10/2006.

ORIENTAÇÃO Profª.

Sandra Regina.

COORDENAÇÃO Prof.

Lenine Righetto.

SUPERVISÃO E REVISÃO Prof.

Alcides Duarte.

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